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imensidão talvez sim talvez não


Consigo ouvir a minha respiração

Parece mais lenta e ritmada

Ritma com as batidas do meu coração

Assim, são contadas

Cigarras e insetos da noite, posso ouvir

Buzinas de carros, sirenes e outros motores

O vento bate em meu rosto, quente e ao mesmo tempo fresco

Forço minhas vistas no horizonte escuro

Tento enxergar a última luz que poderia ser vista

Que imensidão...

Consigo esvaziar a minha mente por uns segundos

São poucos, pode ser, mas consegui alguns segundos

Estou orgulha de mim mesma.

Respiro...

Quero voar como os pássaros ao amanhecer

Que brincam em meio a aurora da manhã

Que banham nas águas nos rios e alimentam seus filhotes

Que colhem os melhores frutos e aproveitam os seus dias

Respiro...

Sinto o cheiro de terra molhada e de café passado

Brinco com meus bichos e corro como um bicho

Sujo meus pés, minhas roupas, minhas mãos e meus cabelos

Me jogo ao chão, e fico olhando as nuvens de algodão

Que imensidão...

Banho de chuva quero tomar

Como da última vez

De pés descalço e girando com meu vestido longo

Até em meu corpo, colar

Ficar encharcada de água fria até me extasiar

Tomar um banho quente e me deitar 

Sonhar e não me lembrar... 

Susanne de Andrade 

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